Um sonho que começou em Janeiro…
Quando a Ju chegou aqui, eu falei pra ela das inúmeras coisas legais que tinham em Munique, para fazer um contraste aos literalmente 40 graus de diferença que ela enfrentou quando saiu de São Paulo (36 graus no dia 29 de Dezembro) e Munique (-12 graus na mesma data). Entre essas coisas, falei da tal da Lange Nacht der Museen, onde o transporte público da cidade e os museus se juntam em uma empreitada cultural fantástica: 4 linhas de ônibus circulam entre 90 museus das 7 da noite até as 2 da manhã, sendo que se paga um ingresso pra TUDO!
Lógico que o assunto adormeceu porque o evento estava a muitos meses de acontecer, mas semana retrasada começamos a ver os primeiros anúncios e eu tratei de comprar nossos ingressos na última quarta-feira, um processo que envolve 1) pagar os ingressos com cartão de crédito na internet, b) imprimir o comprovante de pagamento e c) passar na München Ticket na Estação Central pra pegar o ingresso apresentando identidade e o comprovante… Ressalto: imprimir o ingresso ou comprá-lo direto na München Ticket NÃO É UMA OPÇÃO. Hehehehe… Parece que a Alemanha em alguns aspectos realmente ficou parada no tempo.
Anyway… Com ingressos e guia na mão, decidimos fazer o seguinte: sair daqui de casa e ir pro Königsplatz, onde tem o instituto de Paleontologia e Geologia da LMU, onde os professores e alunos de paleontologia montaram uma pequena exposição de DINOSSAUROS!!! Sim, meu sonho de adolescencia seria realizado. O Königsplatz fica entre aqui e o Odeonsplatz, que era o ponto de saída pra todas as linhas do evento. Porem, pra chegar mais rápido, sairiamos do Königsplatz de metrô pra ir direto pro Isartor onde é o ENORME Deutsches Museum, que é o maior museu de técnica e engenharia do mundo. De lá, sairíamos com um dos busões da linha dos museus pro Museum der Kulturkunde, ou museu cultural, e depois pra Galeria Villa Stuck, uma pequena exposição particular. Ainda com o ônibus da linha dos museus, seguiríamos pro Siemens Forum, que tinha a exposição de grandes revoluções de técnologia, seguindo pro BMW Museum e terminando a noite no Rock Museum na torre do Olympiapark, a meia-hora a pé de casa, já que as 2 da madrugada é dificil achar um metrô da linha noturna de Munique. Isso foi o PLANEJADO, segue agora o meu relato do que realmente aconteceu:
Saímos meia-hora atrasados, chegamos no Königsplatz, e decidimos dar uma entradinha na Coleção de Antigüidades e na Gliptoteca, que são duas casas construidas no estilo grego ENORMES uma de frente pra outra. Ficar entre elas a noite realmente é surreal. Ambos tinham uma grande coleção de peças ORIGINAIS da Grécia e do Egito (grande paixão do Rei Ludwig) e na Gliptoteca infelizmente tinha muita coisa faltando por causa dos bombardeios da guerra.
Saindo da Gliptoteca, fomos ver os dinossauros
Foi legal, mas infelizmente uma exposição muito pequena que me mostrou que paleontologos não recebem o devido respeito (e dinheiro) e que eu tomei a decisão certa na minha adolescencia de não seguir nessa profissão
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Finalmente, fomos pro Deutsches Museum. Minha segunda visita, mas a primeira da Ju. O museu é simplesmente fantástico, com várias peças originais, aviões, submarinos, um departamento de física que faz física até ser interessante porque da pra mexer em tudo, etc. Infelizmente, duas partes do museu estavam fechadas: filme e foto e as minas, que são muito legais. Fica pra uma próxima visita, já com horário marcado no planetário, que também não abriu ontem.
Depois de umas boas duas horas no Deutsches Museum, subimos no ônibus errado em direção ao museu da cultura. Pra nossa sorte, era a direção certa pra Villa Stuck, que era um dos lugares que eu não tinha entendido direito como chegar. A coleção era bem pequena e depois de quinze minutos estavamos na frente esperando o busão certo pra ir pro museu cultural… Que foi fantástico também. Entre uma parte dedicada especialmente a uma exposição do Xingú Brasileiro e obras estranhissimas da Africa, eles tinham um Buda de uns 5 metros de altura na parte Japonesa. Muito interessante mesmo, e um museu de muito bom gosto.
Saindo de lá, seguimos o trajeto planejado: o Siemens Forum tinha uma exposição modesta mas muito bem preparada sobre os “milestones” da tecnologia, divididos entre medicina, transportes, energia, etc. mas também precisou de pouco tempo pra ser digerido. Como era 1 hora da manhã, seguimos com tudo pro BMW Museum, que estava com uma exposição especial sobre artistas que, em épocas diferentes, pintaram modelos da BMW da forma como só eles poderiam, entre eles, Andy Warhol. O resto do museu é um prato cheio pra nostálgicos automotivos e uma desculpinha pra BMW mostrar o poder deles. O museu é um show de luzes e técnica de ponta que só a marca pode esbanjar dessa forma. Destaque pra um conjunto de bolinhas prateadas que ficam flutuando, montando palavras e silhuetas de carros. Fantástico!
Terminamos infelizmente não conseguindo entrar no Rock Museum, que parecia ser uma salinha pequena, e que a gente realmente queria só ir se sobrasse tempo de algumas das exposições. Basicamente, visitamos 8 museus em 7 horas, ficamos com as pernas acabadas, mas valeu cada segundo. Sabendo que a gente viu só uma parte pequena do que o evento oferece, já estamos de olho no Lange Nacht der Museen 2011.
PS: caso alguem achou que eu táva esquecendo, seguem as fotos:
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