Blog do Guddy e da Ju

23 out, 2010

O que seria um “tratamento”?

Posted by: guddy In: Roteiros|Trabalho

Vez ou outra, quando perguntam o que eu tenho feito no trabalho aqui na Alemanha, respondo que tenho trabalhado num “Treatment” e ninguém sabe direito o que é. Vale lembrar que os Alemães não tem palavra própria pro negócio: Treatment é Treatment e Exposé é Exposé, enquanto no Português o Treatment é traduzido pra tratamento e o Exposé, se não me engano, é um argumento.

Um tratamento é basicamente o conceito do filme, principalmente referindo-se ao roteiro. Imagine um produtor, ou um agente, que tem que pesquisar roteiros pra saber pra qual ele vai sair correndo atras do dinheiro. Um roteiro tem em média um minuto de filme por página e um filme tem em média 120 minutos de duração. Agora multiplique isso por uma média de 30 roteiros que um agente de autores de roteiro recebe em cima da mesa e você percebe a necessidade do tal do tratamento. O mesmo vale para os institutos de financiamento cultural, as famosas Staatsförderungen.

Cada roteirista tem seu tipo de tratamento, mas 99% (eu incluso) começam com um Exposé, que serve como a isca que a pessoa tem que morder. No Exposé está uma versão resumida da história, mas sem ser contada de forma linear. É mais uma descrição da história, inclusive com informações mais abstratas, do que realmente a história detalhada em sequência. O Exposé serve pra realmente despertar o interesse, e principalmente pra mostrar o valor do filme, já dando, de forma pouco apelativa, o motivo pelo qual esse filme tem uma ligação com o público, qualquer que ele seja.

Um erro que eu cometia era colocar as informações do público no final do tratamento, não dentro do Exposé. O que eu aprendi é que quem lê isso não é burro e não gosta de ser ensinado coisa. Eles que decidem, pelo que estão lendo, se o público vai gostar disso ou não. Como consequência, essas informações no Exposé são mais abstratas ainda. Tal mulher representa a força feminina, esse vilão é o típico vilão da sociedade moderna, etc.

Depois do Exposé, que NUNCA deve exceder uma página, vem a Sinopse. Eu procuro, pelo menos no começo, dividir minhas sinopses entre os atos do filme. Segundo Syd Field, Um filme é dividido entre um primeiro ato que ocupa 1/4 do filme, um segundo ato que ocupa metade do filme, e finalmente um terceiro ato que ocupa o restante (1/4). Eu nunca fui muito de seguir regras, mas essa ideia do Field oferece uma base pra começar a escrever, já que funciona em grande parte dos casos ter bons pontos de virada entre tais “atos”. O último tratamento que eu escrevi tinha um primeiro ato de 1/8 da história, um segundo de 3/8 e o terceiro com metade da história. Porem, no meu terceiro ato acontece MUUUUITA coisa, então vale arriscar. Neste último caso, também, minha história tinha um prólogo e um epílogo, que não é comum em roteiros.

Finalmente, a última parte dos meus tratamentos tem uma descrição das personagens principais, e secundários que vale a pena mencionar. Como o filme que eu estou escrevendo envolve um certo mistério, e nesse ponto o leitor já sabe tudo por causa da sinopse, eu ofereço a ideia que o filme passa pro público, a história real (revelada no final) e que significado esse personagem tem pro público, basicamente falando por que ele ou ela é relevante.

Isto acima é um MEU tratamento, mas como eu disse, todo mundo faz diferente. O conceito é basicamente o mesmo: um documento de entre 10 e 15 páginas descrevendo como será o filme caso ele saia do limbo da pré-pré-produção. Existe gente que escreve tratamentos de mais de 30 páginas, mas não ache que porque o Tarantino pode fazer (e o Lorenzo di Bonaventura lê) que você pode fazer também. Um tratamento de 15 páginas da muito trabalho pelo seguinte:

O “Flowers by the Millions” já tem 1 rascunho de roteiro com 4 revisões, e o tratamento está agora na oitava versão, sendo que esta vai requerir um roteiro novo, não uma revisão dele. O trabalho nele começou em Janeiro de 2008. Quando já se tem o filme na cabeça, é muito dificil filtrar as informações certas. Outro motivo é que é dificil escrever um tratamento bem. Uma das regras básicas de filme é que o roteiro nunca é lido, portanto situações como “ele olha ela com um olhar profundo e pensa nos campos de girassóis da sua juventude” são irrelevantes. Escrever bonito normalmente significa comparar coisas, como a porta que parecia de um castelo medieval, etc. e isso nunca vai num roteiro, o que não é ruim por que um roteiro já tem uma formatação feia de qualquer jeito (Escrito em Courier New, com cenas escritas em CAPS e diálogos e personagens centralizados, etc.). Tem alguns que se atrevem a descrever coisas abstratas em roteiros, mas via de regra não. É direto, ele foi do ponto A ao ponto B e fez ação X com fulano de tal. O mesmo vai pro tratamento, e aí fica feio que dói. Então a eloquência e exercicio do vocabulário são bem vindos.

Fora isso tem a parte criativa, que basicamente é 100% minha até o produtor olhar e falar que tá tudo um lixo. Não foi o caso e eu acho que eu até que me entendo bem com o meu produtor, mas só o futuro dirá.

Bom, agora vocês sabem. Se eu falar que eu to fazendo um tratamento, é isso aí em cima :-)

Bjs e abs.

19 out, 2010

Greve na U-Bahn

Posted by: guddy In: Curiosidades

O sistema de transporte publico em Munique está em greve ao que já parece uma eternidade. Tem gente que reclama de barriga cheia.

O sistema de transporte publico aqui é considerado um dos melhores mundo, e não é a toa: não existe uma parte dessa cidade que não tem um metrô ou bonde por perto e os ônibus passam com uma freqüência de 5 a 10 minutos no máximo. Isso tudo funciona maravilhas até o fator humano ser envolvido. Os caras querem mais dinheiro e a MVG não tem de onde tirar.

Depois do ultimo dia da Oktoberfest, a Ju (de salto-alto) e eu ficamos duas horas procurando um taxi (que é um roubo aqui) porque maquinista em greve não faz linha noturna.

Agora todo dia pra ir pro trabalho tenho dois problemas: se saio um minuto atrasado, perco o metrô e o próximo vem só em 20 minutos. Como se não bastasse, junta o povo que deveria estar distribuído em 4 trens e eu fico de pé o caminho inteiro com notebook, roteiros e livros (acho que criei um novo músculo nos ombros).

Eu sei que não parece muito considerando que no Brasil um transporte que passa a cada 20 minutos é um luxo, e que aí eles também fazem greve toda hora. Aí elas duram um dia, no máximo dois… Aqui já ta a mais de um mês.

Fico feliz em informa-los que acabei de chegar em Moosfeld, a estação do meu escritório. Então, bjs e abs e um ótimo dia pra vocês.

17 out, 2010

Lange Nacht der Museen

Posted by: guddy In: Curiosidades|Ju|Viagens

Um sonho que começou em Janeiro…

Quando a Ju chegou aqui, eu falei pra ela das inúmeras coisas legais que tinham em Munique, para fazer um contraste aos literalmente 40 graus de diferença que ela enfrentou quando saiu de São Paulo (36 graus no dia 29 de Dezembro) e Munique (-12 graus na mesma data). Entre essas coisas, falei da tal da Lange Nacht der Museen, onde o transporte público da cidade e os museus se juntam em uma empreitada cultural fantástica: 4 linhas de ônibus circulam entre 90 museus das 7 da noite até as 2 da manhã, sendo que se paga um ingresso pra TUDO!

Lógico que o assunto adormeceu porque o evento estava a muitos meses de acontecer, mas semana retrasada começamos a ver os primeiros anúncios e eu tratei de comprar nossos ingressos na última quarta-feira, um processo que envolve 1) pagar os ingressos com cartão de crédito na internet, b) imprimir o comprovante de pagamento e c) passar na München Ticket na Estação Central pra pegar o ingresso apresentando identidade e o comprovante… Ressalto: imprimir o ingresso ou comprá-lo direto na München Ticket NÃO É UMA OPÇÃO. Hehehehe… Parece que a Alemanha em alguns aspectos realmente ficou parada no tempo.

Anyway… Com ingressos e guia na mão, decidimos fazer o seguinte: sair daqui de casa e ir pro Königsplatz, onde tem o instituto de Paleontologia e Geologia da LMU, onde os professores e alunos de paleontologia montaram uma pequena exposição de DINOSSAUROS!!! Sim, meu sonho de adolescencia seria realizado. O Königsplatz fica entre aqui e o Odeonsplatz, que era o ponto de saída pra todas as linhas do evento. Porem, pra chegar mais rápido, sairiamos do Königsplatz de metrô pra ir direto pro Isartor onde é o ENORME Deutsches Museum, que é o maior museu de técnica e engenharia do mundo. De lá, sairíamos com um dos busões da linha dos museus pro Museum der Kulturkunde, ou museu cultural, e depois pra Galeria Villa Stuck, uma pequena exposição particular. Ainda com o ônibus da linha dos museus, seguiríamos pro Siemens Forum, que tinha a exposição de grandes revoluções de técnologia, seguindo pro BMW Museum e terminando a noite no Rock Museum na torre do Olympiapark, a meia-hora a pé de casa, já que as 2 da madrugada é dificil achar um metrô da linha noturna de Munique. Isso foi o PLANEJADO, segue agora o meu relato do que realmente aconteceu:

Saímos meia-hora atrasados, chegamos no Königsplatz, e decidimos dar uma entradinha na Coleção de Antigüidades e na Gliptoteca, que são duas casas construidas no estilo grego ENORMES uma de frente pra outra. Ficar entre elas a noite realmente é surreal. Ambos tinham uma grande coleção de peças ORIGINAIS da Grécia e do Egito (grande paixão do Rei Ludwig) e na Gliptoteca infelizmente tinha muita coisa faltando por causa dos bombardeios da guerra.

Saindo da Gliptoteca, fomos ver os dinossauros :-) Foi legal, mas infelizmente uma exposição muito pequena que me mostrou que paleontologos não recebem o devido respeito (e dinheiro) e que eu tomei a decisão certa na minha adolescencia de não seguir nessa profissão :-D.

Finalmente, fomos pro Deutsches Museum. Minha segunda visita, mas a primeira da Ju. O museu é simplesmente fantástico, com várias peças originais, aviões, submarinos, um departamento de física que faz física até ser interessante porque da pra mexer em tudo, etc. Infelizmente, duas partes do museu estavam fechadas: filme e foto e as minas, que são muito legais. Fica pra uma próxima visita, já com horário marcado no planetário, que também não abriu ontem.

Depois de umas boas duas horas no Deutsches Museum, subimos no ônibus errado em direção ao museu da cultura. Pra nossa sorte, era a direção certa pra Villa Stuck, que era um dos lugares que eu não tinha entendido direito como chegar. A coleção era bem pequena e depois de quinze minutos estavamos na frente esperando o busão certo pra ir pro museu cultural… Que foi fantástico também. Entre uma parte dedicada especialmente a uma exposição do Xingú Brasileiro e obras estranhissimas da Africa, eles tinham um Buda de uns 5 metros de altura na parte Japonesa. Muito interessante mesmo, e um museu de muito bom gosto.

Saindo de lá, seguimos o trajeto planejado: o Siemens Forum tinha uma exposição modesta mas muito bem preparada sobre os “milestones” da tecnologia, divididos entre medicina, transportes, energia, etc. mas também precisou de pouco tempo pra ser digerido. Como era 1 hora da manhã, seguimos com tudo pro BMW Museum, que estava com uma exposição especial sobre artistas que, em épocas diferentes, pintaram modelos da BMW da forma como só eles poderiam, entre eles, Andy Warhol. O resto do museu é um prato cheio pra nostálgicos automotivos e uma desculpinha pra BMW mostrar o poder deles. O museu é um show de luzes e técnica de ponta que só a marca pode esbanjar dessa forma. Destaque pra um conjunto de bolinhas prateadas que ficam flutuando, montando palavras e silhuetas de carros. Fantástico!

Terminamos infelizmente não conseguindo entrar no Rock Museum, que parecia ser uma salinha pequena, e que a gente realmente queria só ir se sobrasse tempo de algumas das exposições. Basicamente, visitamos 8 museus em 7 horas, ficamos com as pernas acabadas, mas valeu cada segundo. Sabendo que a gente viu só uma parte pequena do que o evento oferece, já estamos de olho no Lange Nacht der Museen 2011.

PS: caso alguem achou que eu táva esquecendo, seguem as fotos:

humm – acho que isso é tudo

Beijos para os que viram ;-)

13 fev, 2010

Operation Cheese-Bread :-)

Posted by: guddy In: Curiosidades|Ju

Hoje, Sabado, dia 13 de Fevereiro de 2010, finalmente decidimos fazer os pães de queijo que a minha mamãe trouxe do Brasil. Eu preparei rapidinho os ingredientes (se trata de pó de pão de queijo pra a gente fazer a massa) e escorreguei um metro pro lado pra fazer os nossos cafés enquanto a Ju misturava tudo com o maior carinho, pra fazer as bolinhas que foram depois colocadas na forma que eu untei. Com esse trabalho em equipe, os pãezinhos estavam prontos pro forno rapidinho.

O “manual de instruções” da embalagem fala que os pães de queijo precisam ficar 40 minutos dentro do forno a 180 graus. Se dependesse de mim, eu colocaria o despertador do iPhone e ficaria mechendo no computador até dar a hora… Ainda bem que não dependeu de mim, e a Ju insistiu em ficar verificando o forno a cada 5 minutos, já que depois de 10 minutos no nosso forno louco os pãezinhos estavam no ponto. Se ficassem mais um minuto, teriam queimado.

O resto vocês podem imaginar: deliciosos pães de queijo com manteiga derretida e uma sensaçãozinha de Brasil aqui na Klugstrasse.

PS: não esqueçam de ver na galeria as fotos de como está a vista pro nosso terraço, já que nevou durante os últimos 3 dias e hoje abriu um sol pra complementar.

11 fev, 2010

Visita especial

Posted by: ju In: Visitas

Recebemos uma visita muito especial da Consuelo e do Peta, que nos levaram para vários lugares e principalmente para fazer um tour – com direito a uma especialista em história e curiosidades – na Áustria (Österreich) e na Suiçalandia. Foi o máximo!

BTW: Gracias Thomas e Lianna, onde vocês moram é muito charmoso. =)

Foram muito bons hóspedes e sentimos saudades.

10 fev, 2010

Nosso novo utensílio

Posted by: ju In: Curiosidades

Graças ao Guddy, agora temos um novo  utensílio – muito útil e bonito – na nossa tão agradável residência.

Vou postar uma foto para vocês apreciarem.

Features: – tem despertador, mostra a hora e MUDA DE COR!

20 jan, 2010

O Guddy se aventurando na cozinha!

Posted by: guddy In: Familia|Ju

Segue uma galeriazinha do jantar que eu fiz hoje, com assistencia por Skype dos meus pais. Segundo a Ju, ficou uma delicia, e a Weissbier (cerveja de trigo) combinou perfeitamente. Já uma dica pros navegantes (e principalmente pra quem já conhece a receita), sirva com uma Erdinger, que infelizmente é uma fortuna no Brasil (aqui eu comprei uma Paulaner Hefe-Weisse que estava uma maravilha e é bem melhor que a Erdinger).

Valeu a pena postar porque eu fiz esse jantar enquanto a Ju estava na faculdade e acabou saindo muito melhor do que eu tinha imaginado, e foi minha primeira tentativa com uma coisa mais “complexa” do que macarrão ou pizza.

27 nov, 2009

Chegada em Zürich

Posted by: guddy In: Familia|Viagens|Visitas

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Depois de quatro horas de trêm, uma Coca-Cola, 80 músicas, 1 roteiro de longa e 3 conceitos de propaganda lidos, eu cheguei no aeroporto de Zürich, saquei uns Francos Suinos  e peguei a Tramm pra encontrar o Krico na UBS. Conheci os colegas de trabalho dele, naturalmente muitos Indianos, e fomos pra festa. A festa foi bem divertida, falei bastante Inglês e conheci muita gente diferente que trabalha com computadores :-P

Como já tava todo mundo (menos os cachorros) dormindo quando a gente chegou, só vi o Thor hoje no café da manha… Pros curiosos de plantão, SIM, EU JÁ PEGUEI ELE NO COLO :-)

Segue uma fotinha dele:

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05 nov, 2009

Meu novo trabalho.

Posted by: guddy In: Curiosidades|Familia|Trabalho

Primeiro report do novo trabalho, mostrando fotos do escritório temporario já que o Renato está sem o notebook dele. Normalmente trabalhamos no nosso escritório, cada um em sua mesa (eu na que eu divido com o Manuel e todos os brinquedos dele), mas como o computador do Renato tá em reparo e ele tá usando um computador da sala de 3D pra trabalhar. Eu estou com meu notebook caindo aos pedaços desenvolvendo conceitos pra inumeros comerciais, programas de TV e um projeto grande que eu não vou mencionar pra não elevar as espectativas demais. Quando tiver confirmação que vai dar certo, com certeza vai merecer um post aqui. Os roteiros eu estou escrevendo no meu tempo livre, e o financiamento está sendo organizado por pessoas com mais conhecimentos financeiros. Seguem duas fotos. A primeira do escritório temporario e a segunda do definitivo, onde vamos começar a trabalhar semana que vem:

Temp

Escritorio